RECOMENDAÇÕES PARA CUIDAR DA TIREOIDE

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A TIREOIDE

É uma pequena glândula em forma de borboleta situada na face anterior do pescoço, logo abaixo do pomo de adão. É formada por pequenas bolsas preenchidas por uma proteína rica em iodo denominada tireoglubulina. Sua principal função é regular o metabolismo e o ritmo com que o nosso organismo produz, utiliza e armazena energia.

Seus principais hormônios são a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3). Mais de 90% da produção diária da tireoide é de T4, enquanto que T3 é produzido principalmente por conversão nos tecidos periféricos. Embora liberado em grandes quantidades, a principal função do T4 não é agir diretamente nos tecidos, mas ligar-se no sangue a uma proteína transportadora denominada globulina ligadora de tiroxina ou TBG (do inglês thyroxine-binding globulin). Isso permite que o T3 (o verdadeiro hormônio), fique inteiramente livre para viajar pela corrente sanguínea e ligar-se rapidamente aos tecidos-alvo que dele necessitam, exercendo, assim, sua função de regulador metabólico. Por isso, precisamos, igualmente, de T4 e T3.

A produção dos hormônios tiroidianos é regulada pelo hipotálamo (estrutura que fica no cérebro) e pela glândula hipófise, que fica um pouco mais abaixo. O hipotálamo monitora a quantidade de hormônios circulantes e quando percebe que os níveis baixaram libera o hormônio liberador da tirotrofina (TRH, do inglês thyrotropin-releasing hormone), que por sua vez, estimula a hipófise a produzir o hormônio estimulante da tiroide (TSH, do inglês thyroid stimulating hormone). Quando os níveis de hormônios da tiroide voltam ao normal, o hipotálamo para de liberar o TRH e a produção de TSH diminui, o que interrompe a produção de hormônios por parte da tiroide. Esse ciclo acontece desde antes do nosso nascimento todos os dias de nossas vidas sem darmos conta deste importante processo regulador.

Este papel regulador é tão importante que é impossível viver sem os hormônios tiroidianos. Entretanto, estima-se que 5% da população apresente algum tipo de disfunção da glândula tireoide. Podemos dividir estes em dois grupos principais: os que têm uma diminuição da função tiroidiana (hipotireoidismo) e os que têm um excesso na função (hipertiroidismo). Poucas são as pessoas com hipertiroidismo e seu diagnóstico e manejo por parte do médico é mais fácil. O problema é bem mais complicado com a imensa maioria que apresenta hipotireoidismo, pois nem todos recebem um diagnóstico e tratamento adequados.

São pessoas que sofrem de sinais, sintomas e múltiplos problemas que são, equivocadamente, confundidos com problemas “normais” do envelhecimento. Fadiga crônica, incapacidade de concentração, letargia, insônia, ganho de peso, resistência à insulina, incapacidade de perder peso, baixa resistência ao esforço físico, depressão, déficits de memória, aumento do colesterol, dentre outros tantos problemas, estão, na realidade, intimamente relacionados com o declínio da capacidade de produção hormonal da tireoide.

 

ENTENDENDO O PROBLEMA DO IODO

Os hormônios da tireoide são usados por cada célula do corpo para regular o metabolismo e o peso corporal, controlando a queima de gordura e a produção de calor e energia. E são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento das crianças.

A chave para a saúde tireoidiana é o iodo. Ele possui funções importantes em nosso corpo: estabilização do metabolismo e do peso corporal; desenvolvimento do cérebro na criança; fertilidades; otimização do sistema imune.

Por isso, na deficiência da função tireoidiana, chamada de hipotireoidismo, os sintomas mais frequentes são cansaço físico e mental, dificuldade em perder peso, perda de cabelo, prisão de ventre e sensação de frio excessivo. Na verdade, quando os níveis sanguíneos de iodo estão baixos aumentam as taxas de doença tireoidiana, câncer de mama, doença fibrocística de mama, câncer de próstata e obesidade nos adultos, e atraso do desenvolvimento e retardo mental em crianças.

O iodo faz parte da formação da todos os tipos de hormônios tireoidianos e os nomes refletem o número de moléculas de iodo ligadas a eles: T4 possui quatro moléculas de iodo e T3 (a forma biologicamente ativa) tem três.

Muitos problemas de tireoide são consequência da deficiência de iodo e não de um problema da tireoide em si.

Apesar da adição de iodo a alguns alimentos, como o sal, no Brasil, o principal motivo da deficiência é a crescente exposição a uma classe de elementos químicos chamados de “halogênios”. O próprio iodo pertence a esta classe, que inclui: brometo, flúor, cloro e percloratos. Iodo e cloro são até benéficos em pequenas quantidades, mas brometo e flúor são tóxicos.

São elementos que chegam ao corpo através da água (mesmo que filtrada), alimentos (pães), produtos de limpeza e higiene pessoal e até mesmo, medicamentos. Quando eles estão presentes, ocupam os receptores celulares de iodo impedindo sua absorção e contribuindo para o aparecimento de doenças graves.

Além de serem tóxicos, não há via metabólica para eliminá-los. Ficam depositados nos tecidos do corpo, sobrecarregando-o e impactando a saúde.

O brometo foi proibido de ser usado na fabricação de produtos de panificação, mas não desapareceu totalmente. Ele pode ser encontrado nas tinturas de cabelo e nos géis e fixadores. A indústria farmacêutica uso brometos como conservantes. A indústria química usa brometo como retardante de chama em carpetes, mantas e cobertores, colchões e travesseiros, nos móveis…

Da mesma maneira, que a deficiência, o excesso de iodo pode piorar o funcionamento da tireoide. Por isso, a chave está na ingestão adequada de iodo – nem muito, nem tão pouco. Uma maneira adequada é medir a quantidade de iodo eliminada pela urina.

A maneira mais adequada e segura de garantir a quantidade correta de iodo é ingerindo vegetais marinhos, como algas. A segunda opção são os suplementos de iodo, mas eles não são isentos de toxicidade. Alguns pacientes se sentem bem com o iodo vindo dos alimentos, outros necessitam de suplementos de iodo para se sentirem bem, mas existem aqueles que necessitam de suplementação hormonal. Por isso, cada caso deve ser analisado criteriosamente.

Baseado somente no que você leu até aqui já dá para desconfiar dos tratamentos convencionais para o hipotireoidismo que, ignorando a bioquímica básica, utiliza somente um deles (T4) e numa forma sintética: a levo-tiroxina sódica (Levoid, Synthroid, Euthyrox, Puran T4). Por isso, (T4 sintético), fazendo com que um grande número de pessoas, mesmo seguindo fielmente a prescrição recomendada, permaneça apresentando sinais e sintomas claramente indicativos de que o tratamento não esta funcionando.

 

OS ERROS NO TRATAMENTO

 

Produzido na hipófise anterior e com missão específica de controlar a normalidade das funções tiroidianas, o hormônio estimulante da tiroide ou TSH (thyroid stimulanting hormon) é o hormônio fundamental para se compreender a plena capacidade de produção tireoidiana.

Funcionando como um verdadeiro sinalizador, todas as vezes que a tireoide não está conseguindo produzir a quantidade de hormônios necessária para atender as exigências metabólicas, o TSH passa a ser secretado em maior quantidade pela hipófise e tem os seus níveis elevados no sangue. Ou seja, quanto mais elevado o TSH no sangue, mais deficiente estará a função tireoidiana.

Ocorre que os níveis de normalidade ainda empregados pela grande maioria dos laboratórios de análises clínicas para as dosagens de TSH estão totalmente obsoletos. Um grande número de estudos aponta para o fato de que se os níveis de TSH estiverem acima de 2,5pg/ml, isto é uma indubitável indicação do chamado hipotireoidismo subclínico. Significa que o indivíduo ainda não está doente, porém, já apresenta claros sinais de algo não vai bem. E se a função da tireoide não for corrigida acabará evoluindo para o hipotireoidismo francamente estabelecido, ou seja, a doença ativa.

Existem situações especiais, como os níveis mais elevados de TSH nos idosos ou em casos onde não há sinais clínicos evidentes de problemas tiroidianos, mas em situações como expus acima, uma “bandeira amarela” de alerta deve ser agitada e acompanhada com mais cuidado. A razão evidente é que há grande diferença entre agir rápida, preventiva e profilaticamente ou esperar de forma contemplativa pelo aparecimento de doenças.

Mas não basta “tratar”…

O tratamento convencional está focado exclusivamente na reposição de T4, mas isso pode trazer alguns problemas adicionais. Em situações especiais, por exemplo, durante jejum prolongado ou estresse crônico, o corpo se defende diminuindo o funcionamento da tiroide, mais especificamente diminuindo o metabolismo. O corpo, em vez de converter T4 em T3, converte-o em T3 reverso (T3R). Este, por sua vez, ocupa o receptor no lugar do T3, impedindo este de entrar nas células.

Além disso, trabalhos mais recentes mostram que existe uma alteração genética, o que chamamos de polimorfismo, onde ocorre uma resistência do receptor aos hormônios tiroidianos, sejam eles os produzidos pelo próprio corpo, sejam por suplementação.

Para complicar o caso um pouco mais, dois grandes trabalhos realizados em Stanford University e na Harvard Medical School apontam um problema adicional. O T4 sintético tem uma capacidade maior de se converter na forma inativa, o T3 reverso, que não tem capacidade de agir no nosso organismo.

E se você acha que acabou, saiba que pessoas com níveis elevados de leptina no sangue não conseguem fazer a conversão periférica do T4 (tiroxina) na forma biologicamente ativa, o T3 (triiodotironina).

Se estes dados não forem corretamente avaliados o tratamento não surte o efeito desejado, mesmo que os outros parâmetros sanguíneos mostrem que está tudo bem.

Portanto, para que se possa obter resposta e eficácia terapêutica é importante avaliar a necessidade de reposição não só de T4, mas também de T3, respeitando as suas proporções e equivalências metabólicas. E se possível, abandonar os hormônios sintéticos e substituí-los por hormônios idênticos aos naturais, isto é, que possuem estrutura molecular semelhante ao encontrado nos seres humanos.

Fique atento aos sinais de que algo pode estar errado com a tiroide, mesmo que você esteja tomando os hormônios prescritos: ganho de peso com aumento da gordura corporal; diminuição da massa muscular; tendência à anemia; tendência à osteoporose; diminuição do desejo sexual; dificuldade de ereção; dificuldade de concentração; problemas de memória; apatia e depressão; queda de cabelo; dificuldade em sair da cama pela manhã; cansaço excessivo; unhas quebradiças; sensação de frio excessivo…

 

OS DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO DO HIPOTIROIDISMO

 

Desde a época em que estava na faculdade ouço com frequência meus colegas dizendo: “é muito fácil diagnosticar e tratar doenças da tiroide”. O que eu vejo no meu dia a dia é uma realidade bem diferente: diagnosticar e tratar problemas da tiroide pode ser uma tarefa bastante complicada.

 

Muitos médicos não reconhecem os sintomas da disfunção da tiroide, à primeira vista, e ao se depararem com pacientes com ganho de peso inexplicado ou fadiga crônica recomendam exercícios, comer menos ou descansar mais antes de realizarem testes para avaliação da função tiroidiana. Muitos, ao desconfiarem de uma disfunção glandular solicitam apenas um teste: a dosagem do hormônio estimulante da tiroide (TSH) e baseiam seu diagnóstico somente nesse resultado.

 

Apesar de útil como exame de triagem, esta abordagem estreita acaba deixando de lado pacientes que de outra forma seriam mais bem diagnosticados com uma avaliação completa da tiroide. O que vejo frequentemente é a necessidade de levar em conta não só o exame clínico, a análise aprofundada dos sintomas, a história pessoal e familiar, mas também outros exames de sangue e de imagem, quando necessários, para poder ter um painel completo da função desta glândula fundamental para a vida.

 

Por que á tão difícil obter um diagnóstico adequado do hipotiroidismo? Eis algumas das principais razões:

 

Médicos desinformados

Surpreendentemente, ainda existem profissionais que acreditam que podem simplesmente olhar para um paciente, palpar o pescoço e descartar doenças da tiroide. A observação clínica e a palpação para identificar alargamentos ou nódulos são apenas parte do exame clínico da tiroide. Um exame clínico completo pode ainda incluir: ausculta do pescoço com o estetoscópio (na busca de sopros), avaliação dos reflexos tendíneos, da frequência cardíaca e pressão arterial, temperatura corporal, estado da pele, unhas e dos cabelos…

 

“Eu já fiz os exames e os resultados foram normais”

Outra frase que ouço com frequência, mas que não se confirma na prática. Muitos níveis considerados normais pelos laboratórios são objeto de muita discussão e debate entre os médicos e estudiosos no assunto. Basear o diagnóstico de hipotiroidismo apenas no hormônio estimulante da tiroide (TSH) é o erro mais comum. Durante décadas o valor do que poderia ser considerada uma faixa adequada não sofreu muitas alterações e, ainda hoje, muitos laboratórios continuam usando a referência “normal” para resultados entre 0,5 a 5,0.

 

O fato é que muitos endocrinologistas e outros médicos do mundo todo estão lidando melhor com seus pacientes quando estabelecem margens mais estreitas. Estas margens podem variar de profissional para profissional, mas convencionou-se chamar de hipotiroidismo subclínico quando lidamos com um TSH acima de 3,0 (alguns acham que o limite superior não deveria estar acima de 2,5).

 

Confiabilidade do teste de TSH

Procure fazer seus exames na sede principal do laboratório, pois a prática comum de colher o sangue e deixá-lo aguardando por horas até que seja levado à mesa de análise pode resultar na degradação da amostra. Se não for possível procure se informar se a amostra ficará adequadamente preservada. Outro dado importante é que o sangue deve ser colhido logo pela manhã, ainda em jejum, pois os níveis de TSH diminuem gradativamente ao longo do dia. Assim, alguém hipotiroidismo pela manhã pode receber um exame normal se colhido ao final do dia.

 

A falta de testes adicionais, como T3 e T4 livres, T3 reverso e leptina

Não se engane: a dosagem total de T3 e de T4, os testes mais comuns depois do TSH, não reflete a realidade do quanto de hormônio está disponível para as células. Por isso, é muito mais útil avaliar as taxas de hormônio livre, o que é feito dosando o T3 e o T4 livres. E não é só isto: muitos profissionais sentem que o nível ótimo de funcionamento da tiroide ocorre quando o T4 está no meio da faixa normal e o T3 no limite superior desta mesma faixa. Isso é particularmente importante para pacientes idosos, que se sentem muito melhor quando isso acontece.

 

Elevação de T3 reverso (T3R) mostra que a tiroide produz T4 e que este pode até estar sendo convertido adequadamente em T3, mas o organismo está convertendo-o na forma inativa. O T3R ocupa os receptores celulares ao T3 e não os deixa atuar na célula. Isso pode ocorrer na carência de selênio, níveis muito altos de insulina ou cortisol ou muito baixos de testosterona, além de problemas hepáticos. De nada adianta aumentar a dosagem de hormônio tireoidiano nestes casos. Mulheres que usam anticoncepcionais acabam tendo um aumento das proteínas

 

Leptina é um hormônio produzido pelo tecido gorduroso que diz ao cérebro como andam os estoques de gordura. Pessoas com taxas de leptina elevadas no sangue estão desenvolvendo um quadro chamado de resistência leptínica que, por si só, provoca alterações no metabolismo que induzem ao ganho de peso. O problema aqui é que leptina elevada impede a conversão do T4 em T3 nos tecidos periféricos. Aqui também, de nada adianta aumentar a dose de hormônio para corrigir o problema. A chave é focar na diminuição das taxas de leptina.

 

 

Falta da pesquisa de anticorpos

Apesar de sabermos que a principal causa para o hipotiroidismo são de origem autoimune, muitos médicos (e convênios, é claro) não costumam realizar os testes de anticorpos, mais comumente a anti-tireoperoxidase (anti-TPO), a anti-tireoglobulina (anti-TIREO) e o anti-receptor do TSH. Isso é importante destacar, pois anticorpos elevados, mesmo com TSH normal significa que há uma doença autoimune em curso e que sua tiroide está sofrendo. A disfunção pode ainda não ser significativa, mas a presença de anticorpos é preditiva de problemas de tiroide no futuro.

 

Dificuldade em fazer os testes necessários

Num mundo onde a saúde se transformou num negócio, muitos médicos são cerceados pelos planos de saúde e, se pedem exames demais, correm o risco de perder seu credenciamento. Outros planos determinam uma taxa de exames e se o médico a ultrapassa perdem alguns programas de incentivo. Em outras ocasiões pode ser que o próprio médico ache desnecessário o exame, seja pelo fato da ideia ter sido sua (uma ameaça para o ego de um profissional inseguro) ou por ele achar que você quer usar remédios para a tiroide para emagrecer. Além disso, infelizmente, alguns médicos não estão suficientemente informados sobre como identificar corretamente a disfunção tiroidiana, alegando coisas como:

 

  • “Você tem apenas 20 anos. Somente pessoas mais velhas têm problemas de tiroide.”
  • “Você acabou de ter um bebê e se você tivesse problemas de tiroide não teria sido capaz de engravidar.”
  • “Você é homem e homens quase nunca têm problemas de tiroide.”
  • “Você está apenas procurando uma desculpa para o excesso de peso.”

 

Outro problema comum é que quando um paciente chega ao consultório e diz as palavras “fadiga”, “ganho de peso” e “depressão” pode deixar o consultório com uma prescrição para um antidepressivo.

 

Se seu médico se recusa a tratá-lo ou sugere que você espere o nível de TSH subir ainda mais para iniciar o tratamento pense bem se você está disposto a esperar.

 

Quem sabe você o convença a tentar um período experimental de tratamento para avaliar se seus sintomas melhoram?

 

Agora, se com todos os sinais, sintomas e exames mostrando que algo parece estar errado e você continua encontrando resistência avalie se não está na hora de procurar outro profissional para cuidar de sua saúde.

 

Pode parecer ridículo ter de lutar por seus direitos, mas é a sua vida que está em jogo.

 

EQUILIBRANDO A FUNÇÃO TIREOIDIANA

Nenhum tratamento para corrigir o hipotireoidismo será completo se não incluir:

  • Identificar e tratar dos problemas subjacentes (deficiência de iodo, desequilíbrio hormonal, toxicidade ambiental, inflamação etc.)
  • Ajustar a dieta e avaliar o estado nutricional, garantindo que haja suplementação adequada de tirosina, selênio, vitaminas A e D, zinco e ômega-3.
  • Identificar alergias alimentares, intolerância ao glúten e alimentos goitrogênicos (que interferem com o funcionamento da tiroide), como a soja.
  • Praticar atividades físicas.
  • Reduzir o estresse.
  • Fazer saunas, banhos quentes e outras técnicas de desintoxicação.
  • Usar outros suplementos, se necessário.
  • Quem usa hormônios tiroidianos sintéticos há menos de cinco anos, pode ter uma resposta positiva ao uso de compostos naturais contendo T1, T2, T3 e T4 (Armour ou Nature-Tyroid), e não apenas T4 como Puran T4 ou Synthroid.
  • Afastar-se dos halogênios (brometo, flúor, cloro e percloratos).

 

E existem algumas coisas que você pode fazer por conta própria:

Abandone imediatamente o consumo de:

1. Soja
Uma das primeiras medidas úteis é cortar totalmente o uso de soja. Por sinal, ela é utilizada praticamente todos os alimentos industrializados (vide rótulos, inclusive de salsicha, peito de peru e carne processada para hambúrgueres), seja na forma de proteína, óleo, lecitina, etc. A soja possui grandes quantidades dos seguintes antinutrientes:
a) Ácido fítico, que se liga a importantíssimos minerais da alimentação, especialmente o zinco, cálcio e magnésio, impedindo sua absorção;
b) Inibidores da tripsina (a tripsina é uma enzima importante do nosso organismo, utilizada no processo de digestão);
c) Isoflavonas, genisteína e daidzeína, substâncias que possuem atividade anti-tireoidiana. Pesquisas mostram que as isoflavonas da soja, que se encontram “na moda” para inúmeras “utilidades”, como se fossem panaceias, são, na verdade, os mais potentes inibidores da função tireoidiana, seguidas pela daidzeína e, em terceiro lugar, a genisteína. Nenhum outro alimento, na nossa realidade, possui mais antinutrientes que a soja!

2. Açúcar e Farináceos
O delicado mecanismo de controle dos níveis de açúcar no sangue (glicemia) requer uma ação muito bem coordenada entre a insulina do pâncreas, e outros hormônios de diversas glândulas, entre as quais as adrenais e a tireoide. Quando o açúcar e o amido são ingeridos na sua forma natural, não refinada, como parte de uma refeição contendo gorduras e proteínas saudáveis e nutritivas, a sua digestão ocorre lentamente, permitindo que o açúcar entre na corrente sanguínea num ritmo gradual e moderado, ao longo de várias horas. Se o organismo permanecer sem comida durante muito tempo, o nosso mecanismo de controle aciona as reservas de açúcar armazenadas no fígado.

 

Assim, esse fantástico processo de regulação do açúcar no sangue garante às células um suprimento uniforme e constante da substância. Em consequência, o organismo como um todo se mantém estável, física e emocionalmente. Por outro lado, quando consumimos açúcar e farináceos refinados, praticamente sem nada mais, ou seja, desacompanhados de gorduras e proteínas em proporções significativas, a digestão se dá muito rapidamente, provocando um aumento súbito do açúcar na corrente sanguínea. Em resposta, ocorre uma produção de quantidades imensas de insulina, hormônios da tireoide e vários outros, na tentativa de baixar o açúcar do sangue para níveis aceitáveis. Conforme o organismo vai sendo tomado de assalto, repetidamente, por concentrações excessivas de açúcar, é possível uma quebra no seu delicado mecanismo de controle dessa substância. Nessa situação, vários componentes desse mecanismo podem permanecer em constante estado de hiperatividade, resultando no desgaste e insuficiência de alguns deles, entre os quais a glândula tireoide.
Tal situação é exacerbada pelo fato de uma dieta rica em açúcar e farináceos refinados ser pobre em vitaminas, minerais e enzimas, elementos necessários para a manutenção adequada das glândulas e seus hormônios, que uma vez desequilibrados, provocam a manifestação de dores de cabeça, crises de enxaqueca, alergias, obesidade, depressão, distúrbios comportamentais e de aprendizado.

3. Óleos Vegetais Comuns
A campanha contra as gorduras saturadas e a favor dos óleos vegetais poli-insaturados (canola, milho, soja, margarina, etc.) na culinária é boa apenas para a indústria alimentícia, e não para a sua saúde. Quase todos os alimentos industrializados, incluindo pães, bolachas, biscoitos, salgadinhos, batatinhas, molhos, doces, produtos com zero de colesterol, maioneses, sorvetes e cereais matinais, contêm gorduras vegetais poli-insaturadas e/ou hidrogenadas. Fazem parte, frequentemente, de cardápios vegetarianos. Até mesmo a assim chamada gordura saturada do frango, porco e carnes de bois criados em confinamento, encontra-se alterada devido à alimentação desses animais à base de soja, milho e outros produtos ricos em poli-insaturados.
Acontece que, entre outros problemas, as gorduras poli-insaturadas inibem a liberação do hormônio da tireoide. Como? Através da inibição de enzimas proteolíticas. Essas enzimas são importantes na digestão de proteínas. Sem elas, a digestão da proteína coloidal que é liberada pela tireoide e guarda dentro de si os seus hormônios, é prejudicada. Sem a digestão do coloide, não há liberação dos hormônios.
O hormônio da tireoide é essencial na fabricação, a partir do colesterol, de uma série de hormônios esteroides, como a progesterona, pregnenolona e o assim chamado DHEA, conhecido como hormônio antienvelhecimento. Na insuficiência tireoidiana, o colesterol, matéria-prima de todos os hormônios esteroides, pode se acumular e se elevar. E com a diminuição da progesterona, aumentam as chances de ocorrer uma dominância estrogênica, que contribui para a atual epidemia de TPM, cólicas menstruais, cistos ovarianos, nódulos mamários e câncer.

  1. Certas Verduras Cruas

    Algumas verduras cruas contêm substâncias naturais chamadas glucosinolatos, as quais podem interferir negativamente com a produção de hormônios da tireoide. Entre essas verduras estão o repolho, brócolis, couve-de-bruxelas, couve-flor e espinafre. Evite o seu consumo diário na forma crua. Para neutralizar esse efeito potencialmente prejudicial à tireoide, basta cozinhar essas verduras, ligeiramente, no vapor, em água ou em sopas. Ocasionalmente, pode-se – e até deve-se – consumir essas verduras cruas, pois somente quando cruas elas possuem importantes propriedades anti-câncer (por conta daqueles mesmos glucosinatos que são neutralizados pelo cozimento). A sabedoria está em não consumi-las cruas diariamente, mas sim ocasionalmente.

 

  1. Afaste-se de produtos contendo flúor, cloro e bromo.

Isso significa abandonar produtos que contêm flúor: enxaguatórios bucais e pastas de dente. Há flúor e cloro na água que chega às nossas torneiras e isso precisa ser controlado. O bromo aparece nos produtos de panificação (mesmo proibidos pela legislação). Esses produtos competem com o iodo e o expulsam da tiroide, impactando seu funcionamento.

 

 

Para prevenir ou minimizar problemas de tireoide:

1. Crie o hábito de comer peixe, principalmente de águas frias e profundas do oceano. Além de serem ricos em ácidos graxos ômega-3, são excelentes fontes de iodo, fundamental para o funcionamento da glândula tireoide, além de minerais como o selênio e o magnésio.

2. Consuma alimentos ricos em iodo. O iodo é necessário, em pequenas quantidades, para a função da glândula tireoide, assim como o metabolismo das gorduras, produção de hormônios sexuais e uma série de processos bioquímicos. Cãibras musculares, dores de cabeça, depressão, pés frios, mãos geladas e ganho de peso podem ser sinal de deficiência dessa substância. Deficiências de iodo podem aumentar a suscetibilidade para doenças como o câncer de mama e a pólio. Alguns alimentos ricos em iodo são: frutos do mar, sal não refinado, algas marinhas, caldo de peixe caseiro, manteiga (não margarina), abacaxi, alcachofra, aspargos e uma série de verduras de coloração mais escura. Para que possa ser utilizado pelo organismo, o iodo requer níveis adequados de vitamina A, que são obtidos através da ingestão de manteiga e gorduras de origem animal em moderação (de animais criados soltos, e não em cativeiro ou à base de ração). O iodo em excesso pode ser tóxico para nosso organismo, por isso não se recomenda o consumo excessivo de algas ou de sal iodado.

3. Algumas palavras de precaução quanto ao consumo de algas: embora as algas marinhas sejam ricas em iodo e uma série de outros minerais, seu consumo excessivo pode causar intoxicação pelo próprio iodo. Algumas pessoas não possuem a enzima capaz de digerir o carboidrato complexo presente nas algas. Muitas algas comerciais são tratadas com pesticidas e fungicidas durante o processo de secagem e armazenamento, por esse motivo é importante que você conheça os métodos utilizados pelo seu fornecedor. Por fim, recomenda-se deixar as algas de molho por um período de 6 horas, a fim de auxiliar sua digestão.

4. Prepare caldo de peixe em casa, à moda dos nossos ancestrais, utilizando carcaças e cabeças, ricas em minerais, inclusive o iodo. Além disso, as cabeças dos peixes são fontes diretas de hormônios da tireoide, além de outras substâncias que nutrem essa glândula. Quatro mil anos atrás, os médicos chineses rejuvenesciam seus pacientes idosos através de uma sopa feita com as tireoides de animais. Segundo os textos antigos, esse tratamento ajudava os pacientes a se sentirem remoçados, com mais energia e capacidade mental. Na Inglaterra do período vitoriano, os médicos prescreviam sanduíches especiais de tireoide crua para seus pacientes mais doentes. Embora tal sanduíche não ofereça o menor apelo ou atração para nosso paladar, as sopas, molhos e caldos feitos a partir do caldo de peixe caseiro são uma verdadeira delícia! Um “remédio” impossível de recusar!! Algumas pesquisas indicam que até 40% das pessoas podem estar sofrendo de alguma deficiência da glândula tireoide e seus respectivos sintomas de fadiga crônica, ganho de peso, dificuldade em perder peso, resfriados e gripes frequentes, unhas quebradiças, cabelos fracos, dificuldade de concentração, dores de cabeça, depressão e uma série de complicações mais sérias, como doenças cardiovasculares e câncer. Por que não incluirmos um caldo de peixe caseiro em nossa dieta, tanto quanto possível?

5. Inclua ovas de peixe na sua alimentação. As ovas sempre foram valorizadas pelos povos primitivos do planeta, pela sua capacidade de auxiliar a prevenir problemas da tireoide, promover a fertilidade e nutrir mulheres grávidas e crianças em fase de crescimento.

6. Consuma grãos, cereais e sementes integrais que tenham sido deixados de molho por 7 a 24 horas, em água com gotas de limão ou uma colher (sopa) de soro de iogurte ou seu soro. Faça isso com o feijão, arroz integral, grão-de-bico, lentilhas, trigo, aveia e todos os grãos e cereais que você consumir. Esse procedimento neutraliza substâncias potencialmente prejudiciais à tireoide, denominadas antinutrientes. O único grão que não obedece a essa regra é a soja, pois seus antinutrientes não são neutralizados por tais procedimentos. Por essa razão, seu consumo deve ser evitado ao máximo!

Algumas destas informações foram extraídas dos blogs que acompanho regularmente: Dr. Alexandre Feldman (www.enxaqueca.com.br e www.medicinadoestilodevida.com.br), Dr. Ìcaro Alcântara (www.dricaro.med.br), Liga da Saúde (http://ligadasaude.blogspot.com.br/), Dr. Frederico Lobo (www.ecologiamedica.net/), Dr. Paulo Farber (http://saudeblog.wordpress.com).

 

 

DEVEMOS TRATAR O PACIENTE E NÃO O PAPEL COM OS EXAMES DE TIROIDE

Agora, quero ampliar esta abordagem trazendo algumas ideias ainda pouco comuns para a maioria dos médicos aqui no Brasil.

Se você tem hipotiroidismo é provável que esteja utilizando algum medicamento que contenha levotiroxina (no Brasil, temos o Puran, Synthroid, Euthyrox, Levoid). É ainda possível aviar o mesmo ativo em farmácias de manipulação. Para você ter uma ideia do tamanho deste mercado, são o 4º medicamento mais vendido no mundo. O problema é que, mesmo com o aumento progressivo das doses, muitos pacientes não conseguem se sentir bem. E qual o motivo? Pode ser que o problema esteja na interpretação de seus exames. Vamos ver isso!

Muitos dos pacientes que procuram uma consulta médica apresentam alguns sintomas que indicam baixa função tiroidiana: fadiga, dificuldade em perder peso, depressão, dores no corpo, baixa libido, sensação de frio o tempo todo, a retenção de líquidos, pele seca, eczema, fibromialgia, tensão pré-menstrual, menopausa precoce, perda de cabelo, extremidades frias, unhas quebradiças, constipação ou prisão de ventre, memória fraca, falta de concentração, fraqueza generalizada, pele pálida, falta de ar, fluxo menstrual aumentado, dores musculares ou articulares, falta de motivação… E mesmo sentindo vários desses sintomas seu médico diz: seus exames estão bem!

E que exame o médico avalia para determinar isso? O TSH (hormônio estimulante da tiroide). O problema é que o TSH não é um bom indicador da função tiroidiana.

Recebo muitos pacientes com a história acima e que traz os exames anteriores. Ao analisa-los vejo que os únicos exames solicitados pelo médico é o TSH (um hormônio da hipófise) e o T4 (um hormônio da tiroide, mas inativo). E o médico não faz isso por preguiça, mas por ser um consenso entre eles de que estes exames bastam para avaliar a função da tiroide.

Entretanto, ao analisar os trabalhos científicos fica claro que estes parâmetros dizem muito pouco sobre a função tiroidiana e se as células estão recebendo os hormônios adequadamente. Este artigo, portanto, é dirigido aos médicos que percebem que algo está errado nas recomendações oficiais e para os pacientes que se veem nesta situação e precisam saber o que fazer.

 

O TSH está normal, mas os sintomas mostram que algo não está bem; o que fazer?

O primeiro passo é ampliar o painel para avaliação da função tiroidiana, para que possamos identificar onde exatamente está o desequilíbrio. A disfunção da tiroide pode ocorrer por muitas maneiras diferentes. Por exemplo, o estresse e a elevação do cortisol impactam a função do hipotálamo, assim como os estados inflamatórios e o acúmulo de toxinas/metais pesados. A própria função da tiroide pode estar prejudicada pela baixa de progesterona, a deficiência de nutrientes (como o iodo) ou por uma doença autoimune (tireoidite). Ou ainda, o problema pode estar na falta de conversão adequada dos hormônios inativos em ativos, como ocorre nas disfunções hepáticas, no excesso de cortisol (estresse), no excesso de estrógenos, na baixa de testosterona, no excesso de insulina e leptina etc.

Como citei antes, focar o sucesso do tratamento no TSH é não entender o metabolismo da tiroide e a ação de seus hormônios nos locais adequados, ou seja, nas células. O TSH é um hormônio da hipófise e não um hormônio da tiroide. A hipófise libera o TSH após um estímulo que recebe do hipotálamo, uma parte do cérebro que monitora os sinais nervosos e os transformam em sinais hormonais. O TSH não fornece nenhuma informação sobre o nível de hormônios da tiroide. Ele não fornece nenhuma informação sobre quão eficiente está sendo a conversão periférica do hormônio inativo (t4) em hormônio ativo (T3). Outro fator preponderante é que o cérebro (ou seja, o hipotálamo) é mais sensível ao T4 do que os tecidos periféricos. Isso significa que o TSH pode cair para um nível normal e, ao mesmo tempo, os outros tecidos do corpo ainda não terem recebido hormônios suficientes para desempenhar suas funções.

Na prática, podemos dizer que a resposta corporal ao TSH é muito lenta, pois até que ele se eleve o suficiente para chamar a atenção dos médicos convencionais, o paciente já lida com uma baixa da função da tiroide há muitos meses. Por isso é comum vermos dosagens de hormônios da tiroide abaixo do normal, a presença de anticorpos no sangue e um TSH normal.

Na verdade, o que os laboratórios consideram “dentro da normalidade” deveriam ser analisados por percentis. Podemos ter um TSH “normal”, mas abaixo do percentil 30 (30%). Se o paciente tem sintomas de baixa função tiroidiana estamos diante de um caso evidente de hipotiroidismo, mesmo que alguns insistam em chamar de subclínico.

E existem evidências de que dosagens hormonais (T4 ou T3) em percentis abaixo de 70% estão ligados a maior gordura subcutânea, ao aumento do colesterol, a uma tendência à anemia, ao aumento da insulina e leptina…

Daí a pergunta que deu nome a este artigo: devemos tratar o paciente ou o teste de laboratório?

Ampliar os testes de laboratório é imprescindível para podermos ter uma visão mais adequada da função tiroidiana em qualquer paciente. Os especialistas na área defendem que se dose, no mínimo, o T4 livre, o T3 livre, a tiroglobulina, o T3 reverso, os anticorpos anti-tireoglobulina e anti-tireoperoxidase. Outros sugerem incluir outros marcadores, que podem depender da experiência de cada médico e da história clinica do paciente em questão. Somente com estes parâmetros podemos dizer se o problema do paciente está na produção de hormônios ou na conversão dos mesmos em hormônios ativos.

E se você é um paciente em tratamento peço que tenha um pouco de atenção, pois os médicos são pessoas um pouco sensíveis quando o assunto coloca em cheque seu tratamento. Médicos são profissionais ocupados. Se forem de convênio suas agendas são cheias e com pouco espaço para conversas. Também possuem opiniões bastante distintas sobre o que significa uma boa função tiroidiana. Se você não tomar cuidado, será improdutivo ou até mesmo frustrante tentar levar uma conversa sobre seu tratamento. Para facilitar isso, seguem algumas coisas que você nunca deve dizer a seu médico.

  • “Eu li isso na internet”

Médicos não se sentem confortáveis quando vê um paciente entrando no consultório carregando uma pasta repleta de papéis, principalmente se forem artigos, referências científicas, impressos da internet… Os médicos, na verdade, até fazem piadas sobre isso. Alguns se sentem intimidados e podem tomar uma atitude mais agressiva. Existem aqueles que se mostram compreensivos e, verdadeiramente, gostariam de discutir algumas coisas com você, mas eles simplesmente não têm tempo para fazer isto. Minha sugestão é que você separe apenas o que considera importante. Se possível, envie para ele pelo menos 1 semana depois da consulta, junto com um texto onde explicando quais aspectos do material você gostaria de discutir, ou indicar que gostaria de conversar sobre o tema na próxima consulta. Cuide para não mandar links de trabalhos ou artigos em inglês, pois muitos médicos não sabem ler fora da língua portuguesa. E nem todos gostam de admitir isso. Se ele for agressivo mesmo com esses cuidados, leia o último parágrafo deste artigo.

 

  • “Eu estou cansado”, “estou gorda”, “não consigo perder peso”, “eu não me sinto bem”

É ótimo quando nos sentimos tão bem com nosso médico que podemos trocar sentimentos e impressões, mas nem todos os médicos veem isso com bons olhos. Enquanto pode ser apropriado conversar sobre estes temas com seus colegas de trabalho no café esta não é maneira mais efetiva de se comunicar com seu médico. Quando você descreve seus sintomas de uma maneira emocional, a tendência é que o médico a interprete como emocional “na origem”, ou como gostam de denominar, um distúrbio somatofórmico. E é provável que saia da consulta com uma prescrição de um antidepressivo ou com uma recomendação para que “se exercite mais”, em vez de ter sua tiroide avaliada adequadamente. A minha recomendação é que você apenas quantifique suas sensações e sintomas, calmamente, tentando descrevê-las de uma maneira racional, sem emoção e até mesmo científica. Por exemplo, “Doutor, eu durmo 8 horas por noite, mas ainda me sinto cansado ao final do dia”, “Eu tenho seguido suas recomendações alimentares e estou me exercitando adequadamente conforme orientado, mas mesmo assim, percebo que não consigo baixar meu peso; o que pode estar acontecendo?”. Experimente e, provavelmente, seu médico irá levar suas queixas com mais seriedade.

 

  • Seguramente eu estou com _____________

Mesmo que você suspeite de estar com algum problema em particular, não é uma boa ideia declarar isso na consulta. Para alguns médicos, este é um sintoma de cybercondria (uma espécie de hipocondríaco cibernético que sempre consulta o Dr. Google). Isso transformará seu médico num cético quanto ao seu diagnóstico, mesmo que você tenha razão. Refaça sua observação com algo semelhante a “doutor, eu tenha tais, tais e tais sintomas. Eu ouvi que podem ser sinais da doença X. Isso é algo que devemos explorar?”. Simples, não?

 

  • Eu li isso na internet

Quando você quer explorar algo novo com seu médico nem sempre é uma boa ideia mencionar que leu isso na internet. Embora existam fontes confiáveis de informação sobre saúde, muitos médicos são, inclusive, avessos ao uso do computador. Logo, desenvolvem uma resistência natural a tudo que venha dele. Mesmo que vários jornais médicos e as bibliotecas médicas estejam disponíveis on line, muitos continuam acreditando que “você não deve acreditar no que lê na internet”. Se possível, mesmo que tenha lido na internet, tente iniciar a conversa com seu médico ao estilo “há um médico em São Paulo que trata pacientes assim”, ou “eu vi um artigo publicado no New England Journal”. Assim, você divulga a fonte original, que é preferível ao “li na internet”.

 

  • Eu não estou tomando nada

Quando seu médico pergunta se você está tomando alguma outra coisa ele quer perguntar “que outras medicações ou suplementos você está tomando?”. Um erro frequente é omitir de seu médico medicamentos prescritos por outros profissionais ou mesmo aqueles derivados da automedicação. Isso inclui vitaminas, ervas, minerais, florais etc. O problema é que muitas substâncias (e até alimentos) podem interferir com a absorção e ação dos hormônios da tiroide prescritos. Isso pode não só torna-los menos efetivos, como até mesmo piorar sua condição clínica.

A solução está em fazer uma lista com todos os suplementos e/ou medicamentos, com suas respectivas dosagens e horários de tomada.

E se você não tem um tipo de relacionamento com seu médico que permita este tipo de crucial troca de informações sobre seu tratamento, então você está diante da real necessidade de buscar um novo médico para cuidar da sua tiroide. Pense nisso!
 

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