DEVEMOS NOS PREOCUPAR COM A CERA NOS ALIMENTOS?

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Legumes e frutas cultivadas convencionalmente são frequentemente encerados para evitar a perda de umidade, protegê-los de contusões durante o transporte e aumentar sua vida útil. Ao comprar legumes e frutas não orgânicos, o ideal seria saber qual o tipo de cera aplicada na sua superfície.

A legislação brasileira permite que a indústria use produtos derivados de fontes naturais, incluindo a cera de carnaúba das folhas de uma palmeira brasileira; cera de candelila derivada de plantas do gênero Euphorbia parecidas com a cana, as quais vegetam em desertos, e a goma-laca da secreção do besouro laca encontrado na Índia e no Paquistão. Estas ceras são também aprovadas para uso como aditivos alimentícios de doces e bolos. Isso explica porque as barras de chocolate derretem na boca, mas não na mão do consumidor.

Entretanto, a Anvisa também permite a utilização de cera derivado de petróleo, a cera de polietileno oxidada (INS 914).

Se uma cera de origem orgânica (natural) parece ser mais segura para consumo humano, o mesmo já não se pode dizer de um composto à base de petróleo, que contêm resíduos de solventes ou resinas de madeira.

Além disso, não é só a cera motivo de preocupação, pois outros compostos podem ser utilizados na elaboração de revestimentos comestíveis. Alguns deles podem produzir reações alérgicas em pessoas sensíveis, por isso, atenção é necessária. Veja na lista abaixo os grandes grupos de aditivos:

Proteínas: gelatina; caseína; proteína do soro do leite; ovoalbumina; glúten de trigo; zeína do milho e colágeno.

Polissacarídeos: amido e seus derivados; fécula de mandioca; pectina; celulose e seus derivados (metilcelulose, carboximetilcelulose e hidroxipropilmetilcelulose); alginato e carragena; quitosana (derivado do exoesqueleto de crustáceos, moluscos e nas estruturas da parede celular de certos fungos e insetos).

Lipídios: monoglicerídeos acetilados, ácido esteárico, ceras e ésteres de ácido graxo.

– Ou a combinação destes compostos.

Legumes e frutas cultivadas organicamente não contêm revestimentos sintéticos (à base de petróleo), mas certas ceras são permitidas, como a cera de carnaúba. Claro, nem todos os produtores orgânicos enceram suas frutas e legumes, mas é provável que ela esteja presente nos produtos orgânicos industrializados ou provenientes de grandes produtores. Também é provável que os alimentos provenientes de locais distantes do consumidor contenham ceras para aumentar sua vida útil e permitir o transporte por longas distâncias.

Lavar as frutas e vegetais pode retirar o excesso de cera adicionada, mas não a elimina totalmente. Pessoalmente, temos o hábito de lavar as frutas com água corrente e esfrega-las gentilmente com uma escova. Frutas de manejo orgânico é artigo raro no Brasil. A única maneira de remover a cera de produtos não orgânicos é remover a pele. Se você optar por fazer isso, use um descascador, para retirar apenas uma fina camada de pele, pois a maior parte das vitaminas e minerais se encontra logo abaixo da pele.

Precisamos nos lembrar de que as frutas produzem sua própria cera, por isso, nem todo alimento com aparência de encerado significa que uma cera adicional foi utilizada. Fique atento e desconfie dos alimentos cuja camada de cera lhe parece espessa demais.

 

Quem acompanha nosso trabalho há mais tempo sabe da importância que damos à flora intestinal e há uma razoabilidade na hipótese de que estas ceras, mesmo que naturais, interfiram na nossa flora intestinal, uma vez que possuem atividade antibiótica.

 

Por fim, devemos nos preocupar com a cera nos alimentos? Como regra geral, não. Tudo indica que são seguras para consumo humano. No entanto, espera-se que o governo estabeleça medidas rígidas para assegurar que determinadas ceras derivadas do petróleo não sejam utilizadas. Os produtores também deveriam indicar no rótulo se algum tipo de componente adicional foi utilizado para revestir o alimento. Isso faria com que as pessoas sensíveis a algum ingrediente pudesse se abster ou controlar sua ingestão. Essa é a posição de alguns órgãos de defeso do consumidor, como este aqui: http://milc.net.br/2014/09/as-frutas-as-ceras-e-o-direito-a-informacao-clara/#.VSfDe0bg6s4

 

E a nossa também.

 

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